13/03/2012




“Mas lembrar-se com saudade é como se despedir de novo.”
(Clarice Lispector)



Mar, mar, mar: lá estava ela, Florianópolis, a ilha já cercada de saudades por todos os lados. Como fosse ela quem estivesse de partida, e eu ali a olhar o vazio deixado por seu cheiro de sol, o sotaque português de sua gente, a areia tão branca, sol que cega nas dunas, o gosto de maresia que as ostras guardam nas conchas, a sensação de madeira e cor da casa do Campeche.

Agora é só marrom, amarelo e verde, para onde meus olhos vão é sempre terra. Quem dera ter um fio mágico e atar a ilha aqui perto de mim, uma lã azul e leve, firme e forte.    

Quem dera ter Floripa aqui ao lado.

Olho para a ilha com memória de quando ainda não era deste mundo: Ilha do Desterro, a ilha das bruxas desterradas por seus vínculos de entranhas com ligação de mãe-terra, ilha dos pescadores, calmaria e vida que o mar provinha.

Periodicamente vou visitá-la, recarregar energia, dar olá a Iemanjá, sentir o movimento do mar dentro de mim. Mas a cada até logo, dou adeus com dedos tristes. Minhas mãos não querem acenos, mas já não podem segurá-la: novamente a ilha parte, lenta e firme, e vai, toda Avalon, entra na névoa da memória.

É lá que a guardo.




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