24/06/2011

Liz e o Tempo



Te escrevo, filha, porque o tempo passa. Te conto do simples, para que ele não caia no cotidiano e se perca, para preservar a memória do que já é teu e tu ainda não sabes.

Da tua história posso te dizer que ela começou bem antes de ti, do mesmo modo que começamos todos nós. Somos fios de um tear que é ao mesmo tempo próprio e herdado. Somos feitos de inúmeros sobrenomes, raízes que se entrelaçam gerando brotos, frutos e flores. Tu te chamas Chiaradia Figueiredo Bordignon Meira Menegatti Canfild e mais todos os outros sobrenomes dos que vieram antes de ti, e por isso teu nome é tão curto: para dar simplicidade a eles todos. Liz é simples, e a boca vira em sorriso quando pronunciado.

Em sorriso te esperamos: tua espera foi adubada, lenta e atentamente. Lembro da espera que olhava muito para as estrelas, imaginando em qual delas tu poderias estar. Punha um sol na minha barriga e flores em meus olhos para te indicar o caminho, falava do ninho de amor que teu pai e eu estávamos preparando, aquecendo para te receber. Fazíamos planos que sempre te incluíam, tecíamos um futuro com tua presença, e assim construímos uma casa para te receber nesse mundo.

Agora estamos todos aqui. Quando seco teu corpo, depois do banho, vou dizendo vamos secar a cabeça, que aprende tudo, é inteligente e criativa, vamos secar esse braço forte que vai pegar o mundo e essa mão que pega tudo também, vamos secar essa perna forte que vai andar pelo mundo e esse pé que vai andar muito também, e assim vou te preparando para viajar, degustar, provar a vida. Cada parte do teu corpo está sendo conectada para viver experiências únicas, pessoais, intransferíveis, diferentes e irreverentes.

Quando, aos oito meses de gestação, teu pai e eu te levamos para mares de viagem, era isso que estávamos te dando: o mundo. Te banhava com as ondas: olha, filha, olha o mar que vai e vem, cidades e histórias submersas, seres viajando por cima e por baixo d’água, vidas são cíclicas, o mundo é grande e redondo, não há cantos, não há fim de linha, tudo vai e vem, se desfaz, refaz e recomeça.

O dia do teu nascimento era dia de São Jorge. Dai força à nossa guerreira, pedi ao santo. Espada para enfrentar, escudo para se proteger e seguir em frente. Parece que fui atendida. Teu espírito é vivaz, voraz, risonho e simples. É curioso: chora de susto, mas não chora de dor. Não esqueça nunca que tens embutida numa das mãos a espada e na outra o escudo. Faz bom uso deles ao longo da vida.

Para ti quero poucas coisas, para que possas se ocupar prazerosamente com teus próprios quereres. Quero que tenhas sentimentos de pertencimento, humildade e curiosidade para aprender sobre o mundo e todas as coisas que dentro e sobre ele estão, ludicidade para encarar a vida, muitos risos, belos vínculos, malemolência e gentileza, muita.
 Poucas e boas coisas: são meus quereres decantados. Quero que sejas feliz nesse nosso mundão, tantos querendo fazer tanto e tudo, sem saber que somos infinitos, do infinito viemos e a ele voltaremos, e isso é tudo.

A vida agora é tua. Te amo, te educo, te instigo, te ensino regras pela manhã e te dispo delas à noite, para que possas viver a vida com e sem elas. O mundo é grande, e é sempre bom saber que se pode transitar.

Quanto à tua família, te ampara nela como teu tecido emocional. Tens amor incondicional, uma família grande e pulsante, e um jeito de amar diferente que vem de cada um. É teu refúgio e tua fortaleza, a casa quentinha para onde podes retornar sempre que se fizer noite e chuva lá fora.

Trouxeste o próprio tear, menina Liz, e teus fios são todas as gerações que vieram antes de ti mais todas as cores que queiras inventar. Presta atenção nas tuas escolhas, porque são elas que compõem o nosso olhar, e é sempre bom vermos a nós mesmos com tranquilidade. Mas pega teu tear com as duas mãos, com braços de mundo, com cabeça que quer experimentar seus próprios desenhos e composições de cores. Teu tear é só teu, e o jeito de fiar ninguém ensina a ninguém. Tens que experimentar seus próprios fios e a delícia de compor um desenho único e inusitado.

Tua vida é tua.


 



21/06/2011

Quando os sentidos aprendem arte




Quando descobri o mundo vi primeiro nos ladrilhos do banheiro. Eram somente manchas, pretos e brancos em gradações de cinzas abstratos. Via então da mesma maneira como brincávamos com as nuvens: o olhar solta-se do já concebido e entra em outro mundo, feito de formas. Somente formas.
Naquele mundo abstrato vi um mundo real feito de cavalos, montanhas e moinhos, velhos encarquilhados, olhares de bruxa, expressões, muitos rostos e mãos. Tentava desenhar, capturar linhas inclinações e retas e curvas, mas minha mão não fazia o que eu via.

Encabulado, o traço saía escondido.

Com o passar do tempo fui aprendendo que havia outras pessoas a contar do mundo que se vê nos abstratos íntimos, aprendi os nomes das formas do mundo, e pude explicar aos meus olhos. Foi então que meu corpo começou a entender: a mão e o braço já podiam finalmente se comunicar.

Foi assim que aprendi arte.

Quem diz que aquelas pinturas, daquele grande artista abstrato, até seu sobrinho faria, está certo. O sobrinho talvez esteja vendo um mundo em outra dimensão, diferente do mundo dos ladrilhos, mas igualzinho por ser único, pessoal e intransferível.

E também por isso: que não se diga o que é preciso ver e como sentir. Toca-se com a ponta dos dedos um mundo que é de soluções e inquietações, do que atinge porque sensibiliza, do que é paradoxo porque ali está o que artista buscou e não encontrou, pois a Resposta Correta calaria a plurivocidade da obra de arte.

E com isso, ou a despeito, nos emociona.

Você vai saber quando está frente a uma verdadeira obra de arte se acontecer, no seu olhar e na sua respiração, a mesma sensação do olhar de paixão, amor ou ódio, como se passasse a respirar junto com a obra, um querer olhar mais do que cabe dentro de si. E feito gatos curiosos nos acercamos. Queremos saber como se chama, quem foi que fez e do que é feita, buscamos dentro do nosso referencial as palavras que possam descrever o que se está sentindo.

E é então que começam os conceitos. Só então.

Quanto mais referenciais, quanto mais você souber falar a língua da arte, mais palavras terá para descrever o que sente e a riqueza do que está vendo - inclusive a si mesmo – e o mundo vai sendo desvendado, fica cada vez mais rico, com maiores gradações e nuances. Então ela, a obra de arte, nos contará o que estava acontecendo no momento em que foi concebida e gerada, o que estava a passar pelo mundo, vai contar sobre o artista como sujeito do mundo naquele instante em que foi composta peça a peça, nos contará aos cinco sentidos de coisas que já sonhamos mas ainda não sabíamos.

E então faz-se a luz.

Isso é aprender arte.





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É só um coração que entrou em ebulição. Está em fogos de artifício.






Tenho uma amiga de coração.

Sim, tenho um coração doído.
Gostaria de explicar a ela que a vida é assim mesmo, que podemos viver na dor quando o amor é seguro. Mas essas coisas parecem-me ditadas por outros seres, os que vivem em nossa cabeça a coordenar as normas e regras cotidianas.

Gozar a dor do amor. Embora soe vitimista, era assim que sempre sentia. Mesmo tendo uma pontinha de dor, ficava contente por estar amando. Às vezes a ponta do coração dói, mas é de tanto amar. Mesmo que o outro não saiba. Mesmo que nem se dê conta disso. Mesmo que se assuste. Mesmo que. Até que descobri que não quero a dor.

Tenho uma amiga que chora, hoje, de mágoa. Ou de cansaço. Ou de acúmulo de tudo. De vida, de amor, de cuidados com aquele que ama, de suas próprias farpas, de susto. Queria também lhe dizer que isso é vida, e só quem tem o prazer e a gula de comer a vida aos bocados é que sente essas coisas. Quando não se quer a dor.
Quem sorve a vida de canudinho, por medo de estragar o batom e a compostura, não sente essa betoneira dentro do peito, girandogirandogirando e fazendo tanto barulho quanto girando e gerando vida.
Mais, mais vida.
Ela é muito betoneira, gosta de vida, de se lambuzar vivendo, de amor e luz e atenções e cuidados e trabalho e riso e tudo e mais um pouco.
Pouco ou muito mais. Desde que seja mais.

Nem sempre a vida deixa, nem sempre nos dá espaço para abocanhar o que se quer ter. Falta dente, na hora, ou falta força para morder. Às vezes também dá cansaço. Vontade de se enroscar e ficar quieta, silêncio de bicho acuado, olhos de domingo de chuva.
Também faz parte.
Que temperamento!, dizem as pessoas normais, tem que brigar e bater pé por tudo aquilo que quer!, não dá pra relevar?, aceitar passivamente pelo menos uma vez?
Não, não dá.
Sinto muito, senhoras e senhores, aceitar também faz parte do giro da betoneira, mas aceitar passivamente? Não, minhas queridas senhoras que tentam educar meu espírito para que ele não enlouqueça tanto, não dá. Não passiva. Aceitar também tem que ser escolha. Escolher a vida, mesmo quando ela não segue os padrões normais de regras de conduta.
E então chega um dia que temos que arcar com nossas escolhas. Se escolhêssemos o que elas, as senhoras, tanto tentaram nos ensinar, ficaria realmente mais fácil. Mas infelizmente não é assim. Se conjugamos outros verbos, diferentes daqueles usados pelas boas meninas, temos que aprender todas as terminações.

E os recomeços.

E as continuidades.

Ninguém vai arcar isso conosco, ninguém vai ensinar a transgredir. Justamente por isso. Porque é transgressão. Senão não faria sentido.
E dói. Dói ter que lidar sozinha com os próprios bichos enjaulados. E agüento, mas não me machuquem, porque dói. Mesmo assim agüento, porque sei que vale a pena.
Mas o que faço com meu coração tão assustado?

Gostaria de dizer para o coração tão doído dessa amiga forte e delicada que a vida é rara e boa. E que, se gostamos de sorvê-la assim, sem canudinho, em grandes goles, nem sempre é fácil.
Mas sempre é maior.

Relaxem, senhoras, descansem, senhores. Sei que não é isso o que gostariam de ouvir, mas uma água com açúcar nem sempre costuma resolver os problemas.
Não, não se assustem.
É só um coração que entrou em ebulição. Está em fogos de artifício.

Nem sempre as decisões são instantâneas, minha pequena tão grande amiga assustada, nem sempre os cercados que nos colocaram têm limites precisos, nem sempre temos certezas ou respostas. Algumas coisas precisam de um pouco de tempo.
Se ainda estou assim, por favor, respeitem minha mudez. Minha nudez.  Respeitem minha concha. Daqui não posso sair, não enquanto ainda for areia. É preciso tempo para o amor virar pérola. Quando sair, levo tudo ao meu lado. Amor descalço para sentir onde pisa, para tatear o caminho à procura de. É preciso coragem para amar, para permanecer, reconstruir, aceitar, buscar mais e chorar o choro convulso da vida. E amar.
Minha aura é azul e atenta. Movimenta, ri e renasce. E chora o choro de quem encara tudo com a mesma intensidade com que leva a vida.
Eu perdôo. Eu quero perdoar.
Mesmo com meu contagiro a mil.

Não, não queria falar tanto. Queria só ajudar seu coração a pensar melhor no que lhe aflige, queria lhe dar três gotas de mercúrio para fechar feridas e machucados, para que a vida não machuque mais.
Embora eu mesma não saiba fazer isso.

Ei, Clarice Lispector. Pode me emprestar um poema de primeiros socorros? Um sinal de S.O.S.?

Não, a vida não é fácil mesmo. Mas rara e boa. Aos bocados. Com coração doído e tudo. E muito mais. Mesmo perdida. Porque é assim que se vive, perdendo-se e achando, buscando e saindo à cata de si novamente.

Só que.




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16/06/2011

Da poesia - em voo solo



Da poesia nada sei. Ela é que me sabe. Velhas amigas, amantes inconfidentes, rebeldes, transgressoras, cúmplices, ela e eu, de nós mesmas. Dela não poderei jamais me separar. Nascemos juntas.

Da poesia muito sei. Ela me sabe mais. Dessa mania incontrolável de evaporar janela afora, dos desejos estranhos que fervem em algumas madrugadas de chuva, dos desvios, dos desvarios.

Minha poesia vem do riso, da paixão, do susto, sustento, tombo, cambalhota, saliva e gozo. É construída, concreta, sábia, demente, duvidosa e polígama. É a Geni que aceita o Zepelim, a cortesã que testa o mandarim, a Rapunzel que joga suas tranças para que eu possa galgar seu castelo nas noites de amor. Ela testa, combate, desafia e me devolve à vida. É o retrato de Dorian Gray a envelhecer por mim, a conter, contar, me recriar. Por ela posso manter-me crente na vida, no mundo, bombocados de amor, goles de mim.

A poesia é meu espaço aberto, campos de trigo, girassóis, rosto voltado à luz e riso, gargalhadas de sol. Quando asfixio rompe cadeados de atenções, desvia olhares, me põe de louca. Ensandeço, entonteço, desapareço espaço aéreo, ela eu, bocados de nuvens, algodão doce, infância e riso. O antídoto às seriedades, a máscara de oxigênio. Minha poesia me faz respirar.

Então me expando, estico e voo espreguiçadamente. Minha poesia é uma rede balançando em sua própria poética, na teimosia em ser livre, no espírito que canta em pleno vôo e meus olhos que acompanham daqui, da janela da torre, enquanto Maria Callas e seus timbres mais agudos ressoam, reverberam, eu reverberando, verbando, verborragia em poesia.

Posso voar.

Minha poesia é desassossego, paixão pela vida, meus nós, sustos, transgressões, sou seu espaço para poder amar aos ventos. Meus olhos. Meus azuis. Meu tato. Química da paixão.

No amor revivo. Por ele não morro. Respiro.

Fome de nuvens.

Minha poesia é meu voo. Amante. Silente.

E livre.





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Da mulher que tomava café com borboletas. Dizia, já então, que a infusão lhe dava ares. Em dias de chuva se liquefaz e gotas de suor lhe esvaem dos olhos.

Diz então que viver dá trabalho.

Gosta de seus inúmeros pares de calçados, sempre atormentada, a pobre esquizofrênica. Tenho sempre que saber onde piso disse-me um dia.

Nem sempre, me disse em outro: a vida tem passos de dança.

Por vezes criou hera em seus olhos. Raiva, ciúme, culpa, dor. Peixes nadando em seu silêncio. Por vezes cresceu amor, histórias, que me dizia, a velha jovem sábia.

Sobre pairar e amar feito gente grande.

Também quer criar raízes, arraigar para não sacolejar tanto, mas novamente se liquefaz, trepadeiras agarrando-lhes os olhos, buscando ver o que não quer.

Nem sempre consegue.

Nas grandes ocasiões lhe dou de beber chá: infusão de inusitado. Aplaca-me a sede de mundos, diz ela, com os olhos envoltos no vapor. Quer a vida em grandes goles.

Dias há que queima a boca.

Quando ama, me diz sobre ter colhões, enquanto mergulha suas borboletas numa dose de whisky cowboy. De seus casos trata com Sybil, Jung e Reich, processo de terapia e cura, peace and Love. Questiona o amor, as formas de amar, a dor do amor, os amores doentios, amor pra dar e vender, dar-se sem se abandonar, questiona o próprio abandono e a dor e o amor e vai em  frente. Acaba concluindo que bom mesmo é viver.
E se joga.
Debate-se, mas se joga.
E nunca perde.

Da mulher que tomava asas, por vezes me diz do medo. Fala com a seriedade suave que destina aos assuntos importantes. Diz do quarto escuro. Do desconforto do desconhecido, da maciez do amor, do corte na carne. E diz da alma, que parece não mais voltar pra casa.
E enquanto fala, na força do não chorar, seus olhos se debatem.

E pestanejam.

Feito borboletas.




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Silenciosa era feito seu nome. Teve um filho lá outro cá; do outro, quando morreu, disseram virou anjinho. Ela emudeceu.
Da vida ela gosta e não reclama, nada diz da dor. Conta os sonhos com medo de falar e neles conjuga os verbos do querer em futuro distante, frases iniciadas com quando eu crescer. Crescida, já mulher feita, refaz caminhos com silêncio de vergonha. Tem amor, alegria, vontade de aprender, gula, vergonha, medo, dor. Nada fala: volta para dentro de si.
Vergonha quando voltou à cidade de onde partiu, quando ainda não era ela. Buscava memórias, relatos, consertos, sozinha olhava para trás. À sua volta havia lacunas, contos de quem nunca mais, sua memória não era mais sua, o que era próprio não lhe dizia respeito. Nada dizia. Silenciosa, apenas ouvia com os olhos.
À parte os relatos, tem cacos de memória que machucam. Nojo: espero você voltar, lhe dissera o tio aos 11 anos. Depois novamente fugir de mãos que invadiram sua meninez. Fugir é uma forma de calar.
Quando volta à tona e submerge, sonha ter luz de sol. Não sabe que já a tem. Quando eu crescer, subjetiva, abstrata. Sofre em silêncio: só conta seus medos depois, quando conta. E quando conta é como fosse nada, apenas uma curiosidade, uma pastilha qualquer que fala docemente, quase a se desculpar, sabe que estava com medo?, e ri, em doçura. Acha que é errado. São fibras nordestinas, povo forjado no sol cáustico.
A mãe tem falas agudas e olhos risonhos. A filha sorri muito e quando séria engole em silêncio. Povo ensolarado e forjado na vida. Silenciosa é mãe das duas mas tem medo. Seus tombos guarda no fundo do poço e daqui pode-se ouvir os ecos, mas ela os trata como barulhos do vento: parece que vai chover, conta calada. E muda fica.
Então fala bastante suas falas diárias. Suas palavras são casulo para um silêncio que não sabe exprimir. Quando uma nesga se abre e algo é entrevisto rápida puxa fio de palavras que envolve até o atordoar. Onde guarda sua voz ninguém sabe, talvez só ela mesma. Ou nem. Gostaria de lhe dizer confie na vida, tudo está dando certo, mas não sei se sei dizer essas coisas. Não sei quantas quedas tem seu poço profundo. Emudeço com ela, e com ela aprendo a dar um amor mudo, feito de simplicidades cotidianas.
Com seu povo aprendo a sorrir com os olhos e aceitar em silêncio gestos sérios.
Silêncio também é jeito de amar.





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